Faço todos os esforços possíveis para ser seco. Quero impor silêncio ao meu coração, que crê ter muito a dizer. Temo escrever suspiros, em vez de anotar verdades.
A arte exprime, por meio dos traçados geométricos a que recorre, uma gama de relações entre os seres ideais que concebe; essas relações não são puramente descritivas nem unicamente racionais. Talvez seja mais legítimo falar de uma geometria "emblemática", onde se conjugam duas ordens de "figuras", uma delas constituída pelo código de sinais convencionados da comunicação utilitária e social, a outra pelo léxico dos símbolos, encarados aqui como sinais do que é linguisticamente incomunicável, como homologias necessariamente precárias daquilo que se atinge, não por comunicado, mas por comunhão.
Lima de Freitas, Almada e o número, Editora Soctip, p. 103
A gente nipónica é inteligente, alegre, volúvel, dissipadora; profundamente sensível às belezas naturais; pouco inventiva, mas dotada de admiráveis aptidões para adoptar os progressos estranhos, de indústria, de arte, de ciência, elevando-os a um alto grau de originalidade, à força de transformá-los. E pouco mais se respiga do enigma moral deste povo, em que é justo supor-se, pelo absoluto recolhimento em que se formou e em que viveu, segredos de alma insondáveis.
Wenceslau de Moraes, Traços do Extremo Oriente, Círculo de Leitores, p. 135
Não há automatismo puro, em arte. Os conflitos e as cintilações do inconsciente produzem uma objectividade que parece desdenhar de toda a objectividade mental. Mas a consciência é a região nobre do automatismo, visto que o inconsciente não tem escrita nem linguagem, excepto a histeria e o seu processo.