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EM LOUVOR E ACIDENTE
De mastigar os ossos nas sílabas espessas
este cão amargo rói os dias
sob o peso da chuva com a morte
por entre os lábios o marfim das pedras
com a lua a destruir os muros sucessivos
vai latindo. Um rio que passa
tão velho e transparente sacrifício
crescendo nesta sombra de ameaças
e pequenos acidentes de percurso.
É nas súbitas varandas que palavras
neutras ou amigas se recusam
concêntricas circulam e regressam
a espaços mínimos cada vez menores
onde não é possível respirar contigo.
[Alberto Soares, Escrito Para A Noite, 1984, respigado aqui]
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Obrigado pela gentil e grata surpresa matinal.
ResponderEliminarO poema é bonito!
ResponderEliminarA memória do poema veio-me com a noite e por causa da tarefa. Estive a noite inteira a roer sílabas por razões prosaicas, as piores de todas. Um cão amargo roendo os dias. Ontem o seu poema fez-me companhia e por isso eu é que estou grato ao poeta.
ResponderEliminarJá somos dois, Ana! :-)
é musculada, a poesia de A. Soares. Excelente, trazê-la para aqui :)
ResponderEliminarPois... mas antes vou ter de encontrar os livros. Até agora só consegui trazer o que fui surripiando na net :-)
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