21/02/26

Now is the winter of our discontent






Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums changed to merry meetings,
Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visaged war hath smooth'd his wrinkled front;
And now, instead of mounting barbed steeds
To fright the souls of fearful adversaries,
He capers nimbly in a lady's chamber
To the lascivious pleasing of a lute.
But I, that am not shaped for sportive tricks,
Nor made to court an amorous looking-glass;
I, that am rudely stamp'd, and want love's majesty
To strut before a wanton ambling nymph;
I, that am curtail'd of this fair proportion,
Cheated of feature by dissembling nature,
Deformed, unfinish'd, sent before my time
Into this breathing world, scarce half made up,
And that so lamely and unfashionable
That dogs bark at me as I halt by them;
Why, I, in this weak piping time of peace,
Have no delight to pass away the time,
Unless to spy my shadow in the sun
And descant on mine own deformity:
And therefore, since I cannot prove a lover,
To entertain these fair well-spoken days,
I am determined to prove a villain
And hate the idle pleasures of these days.
Plots have I laid, inductions dangerous,
By drunken prophecies, libels and dreams,
To set my brother Clarence and the king
In deadly hate the one against the other:
And if King Edward be as true and just
As I am subtle, false and treacherous,
This day should Clarence closely be mew'd up,
About a prophecy, which says that 'G'
Of Edward's heirs the murderer shall be.
Dive, thoughts, down to my soul: here
Clarence comes.


22/12/25


(...)

O prazer (...) é uma das ilusões que mais nos devia preocupar. Não por ser uma ilusão, coisa de que vivemos bastante, mas porque esgota tudo à sua volta, transformando em deserto árido uma existência que podia estar destinada a dar frutos. (...) As melhores coisas da nossa vida , os melhores exemplos do que pudemos fazer, não nascem do prazer mas da abnegação, do esforço e, em alguns casos literários, do sofrimento. Evidentemente que não há grande virtude no sofrimento; também ele é uma espécie de moeda de troca nesse grande sistema bancário, que é o da moral. Até porque os juros do sofrimento não são satisfatórios nem felizes: são o que são, e geralmente impedem-nos de viver as pequenas alegrias.
(...)

António Sousa Homem, "Uma Vida Fora de Moda - Crónicas de um reaccionário minhoto", Porto Editora, Julho 2025, p.242-243      

15/10/25

Vento Frio e Som

Ir para onde à tarde a lua nasce
Sobre o afastamento da terra
Deixar o ajuntamento e o som da fala
E subir à aspereza expectante da noite

Um grito cruzará o desfiladeiro,
A vertente que o traz, quebrará
Sobre quem era e fora - cascavel - 
Caindo na secura do sopé inverso

Uma intenção: reencontrar-se
Progredindo para longe de si
Afastando-se do som difuso
Da controversa substância da pele

Ficar da ver súbito o panorama
A subida da águia ao shaligrama
Aprender com os ventos chiando
Ascendentes como bravos pioneiros

Não haver então ninguém: só falésia
Rumor de regozijo inexprimível
E medo fóssil pervasivo industrioso
E deus bramando sobre a pedra

Daniel Jonas, "Idade da Pedra", Assírio e Alvim, p.12





 

  

On Stream

12/10/25

Não entres como turista no coração de uma mulher

 


Não entres como turista no coração de uma mulher

a tirar fotos
deixando latas de cerveja
procurando só catedrais imensas
e estátuas transparentes

com a mochila cheia de mapas
e a fazer refeições rápidas

há um país
sete cidades
uma cordilheira e um inverno
no coração de uma mulher

não bebas só um copo de mar ali

não entres no avião
apanha o comboio da meia lua
não reveles ali as tuas fotografias numa hora

se não fizer demasiado frio
entra nu

não leves guarda-chuva
e sobretudo não cortes árvores
no coração de uma mulher

não costumam voltar a crescer.



José María Zonta, "Os Elefantes São Contagiosos", Filipe Ribeiro (trad.), Língua Morta, p.27;  
Edward Hopper, "Automat",1927

30/09/25

Criação

 





Esta dura crueza de navio
à deriva, seguindo a tempestade,
aguarda essa palavra que inicia
todo um começo sem saber o fim.

Dum silêncio nocturno vem a lume
a força, e um caroço se liberta
de mim, como de um fruto que apodrece
sem saber - por dentro.

Alberto Soares (poema respigado aqui)Alan Villiers (foto)

Now is the winter of our discontent

Now is the winter of our discontent Made glorious summer by this sun of York; And all the clouds that lour'd upon our house In the deep ...