01/03/25

The Blue Nile - From A Late Night Train

Cantiga X

Até quando me tereis
N'esta dor que por vos quis?
Os serviços que vos fiz
Quando mos perdoareis?

Não ser vosso não é em mim.
Isto quereis mo acoimar?
Pera a alma, vossa sem fim?
Se me tanto mal fazeis
Por serviços que vos fiz,
O bem que vos quero e quis, 
Quando mo perdoareis?

Francisco de Sá de Miranda


22/02/25

«HÁ UMA LIGAÇÃO SECRETA entre a lentidão e a memória, entre a velocidade e o esquecimento», escreve Milan Kundera, no seu romance A Lentidão. Ao ler esta frase, identifico-me com o seu texto.

Kundera descreve um homem que caminha por uma rua, tentando lembrar-se de uma coisa que esqueceu. Nesse momento, diminui automaticamente a velocidade. Um outro homem, que está a tentar esquecer-se de uma experiência desagradável que acabou de ter, faz precisamente o oposto: aumenta o ritmo da sua passada sem pensar duas vezes, como se quisesse fugir daquilo que acabou de sentir.

Kundera exprime e reformula esses exemplos por meio da matemática existêncial e de duas equações: «O grau de lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória; o grau de velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento.»

Erling Kagge, A Arte de Caminhar, trad. de Miguel de Castro Henriques, Quetzal Editores, p.51  

18/01/18

Ode



We are the music-makers,
And we are the dreamers of dreams,
Wandering by lone sea-breakers
And sitting by desolate streams;
World losers and world forsakers,
On whom the pale moon gleams:
Yet we are the movers and shakers
Of the world for ever, it seems.
With wonderful deathless ditties
We build up the world’s great cities.
And out of a fabulous story
We fashion an empire’s glory:
One man with a dream, at pleasure,
Shall go forth and conquer a crown;
And three with a new song’s measure
Can trample an empire down.
We, in the ages lying
In the buried past of the earth,
Built Nineveh with our sighing,
And Babel itself with our mirth;
And o’erthrew them with prophesying
To the old of the new world’s worth;
For each age is a dream that is dying,
Or one that is coming to birth.





'Dreamers of Dreams' from LIGHT COLOUR SOUND on Vimeo.

 «Si l'on n'avait pas d'âme, la musique l'aurait créée.» E.M.Cioran , "Oeuvres", Editions Gallimard, 1995,p.504