21/08/25
19/08/25
How do I love thee?
How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.
I love thee to the level of every day’s
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.
I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood’s faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death.
Elizabeth Barrett Browning
PS: em português, no Arpose, tradução de APS aqui
08/08/25
Because we don’t know when we will die, we get to think of
life as an inexhaustible well. Yet, everything happens only a certain number of
times, and a very small number, really. How many more times will you remember a
certain afternoon of your childhood, some afternoon that’s so deeply a part of
your being that you can’t even conceive of your life without it? Perhaps four
or five times more. Perhaps not even that. How many more times will you watch
the full moon rise? Perhaps twenty. And yet it all seems limitless.
Paul Bowles, "The Sheltering Sky"
04/08/25
Ir com a mudança
"Tens de ir com a mudança, foi o que ele me disse. Ninguém mais ouviu, mas o John disse, de facto, para eu ir com a mudança".
Joan Didion, "O Ano do Pensamento Mágico", Infinito Particular, p.287
31/07/25
A mão invisível do vento roça por cima das ervas. [ À la manière de A. Caeiro ]
A mão A
A mão invisível do vento roça por cima das ervas.
Quando se solta, saltam nos intervalos do verde
Papoilas rubras, amarelos malmequeres juntos,
E outras pequenas flores azúis que se não vêem logo.
Não tenho quem ame, ou vida que queira, ou morte que roube.
Por mim, como pelas ervas um vento que só as dobra
Para as deixar voltar àquilo que foram, passa.
Também por mim um desejo inutilmente bafeja
As hastes das intenções, as flores do que imagino,
E tudo volta ao que era sem nada que acontecesse.
Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.
- 89.24/06/25
19/06/25
O Sentimento Fractal
José Eusébio Alpedrinha, "Teias do Silêncio", 2013
06/06/25
A medida humana
Vais
atravessando o dia
(ousando tocar as coisas) a polpa
dos dedos pesando
o que é árduo
do que é suave. Vais por necessidade
(recolectando imagens)
entregando pensamento a
coisas
elementares. Tudo flui neste lugar
(alegria
estilhaços) a singular claridade com
que medimos os factos:
aquilo em que o mundo é forte daquilo
em que o mundo
é fraco.
João Luís Barreto Guimarães, "Claridade", Quetzal, p.14
29/05/25
Tragédia
(...) The true aristocracy and the true proletariat of the world are both in understanding with tragedy. To them it is the fundamental principle of God, and the key - the minor key - to existence. They difer in this way from the bourgeoisie of all classes, who deny tragedy, who will not tolerate it, and to whom the word tragedy means in itself unpleasantness. Many misunderstandings between the middle-class immigrant settlers and the Natives arise from this fact. The sulky Masai are both aristocracy and proletariat. (...)
Karen Blixen in "Out of Africa"
04/05/25
Tudo flui
«Para quem entrar no mesmo rio, outras são as águas que correm por ele.»
(frg.12 Diels-Kranz)
Heraclito, "Hélade - Antologia da Cultura Grega", org. e trad. Maria Helena da Rocha Pereira, Guimarães Editores, SA, 10ª ed., p.152
03/05/25
O branco americano
«Nada do que possa acontecer nos anos mais próximos me surpreenderá minimamente. Quando o assassino branco americano se erguer, para atacar e dilacerar, a Europa, esse velhíssimo cenário de massacres, passará a ter o aspecto de um refúgio de paz. Quando os diques cederem, e estão a ceder rapidamente, não haverá nada tão inverosímil ou diabólico - numa palavra, tão inconfessável - que nos abstenhamos de fazer.»
Henry Miller, "O Mundo do Sexo", Publicações D. Quixote, Lda e Editores Reunidos, Lda, p.47
25/04/25
25 de Abril
Na manhã da revolução - céu cinzento, dia a ameaçar
chuva - não fui trabalhar, como toda a gente. Uma revolução
é para isso: para dar feriado no dia em que a tropa sai
à rua, e depois em cada aniversário, desde que alguém
a ganhe, claro, como neste caso aconteceu. Mas quem ganhou?
Ninguém? Todos? Todos e ninguém, no fundo, como se viu
à medida que o tempo passou, e a revolução foi dando
os seus frutos, caindo com o outono, desabrochando nalgumas
primaveras, mas acabando, como todas as revoluções, no ritmo
normal das estações e do tédio do tempo. No entanto,
lembro essa manhã. É verdade que não é das circunstâncias
que fizeram a História, dos grandes nomes e das grandes causas,
que me lembro. Tudo isso é o passado, o que está nos livros,
e há-de ser ensinado enquanto houver História para ensinar. O
que não há-de estar nesses livros, porém, é o que esse dia me
deu: tu, vendendo os primeiros jornais a sair da clandestinidade,
ainda a revolução não estava ganha; o olhar que trocámos, quando te
comprei um desses jornais, com o gesto frio de quem cumpre
a obrigação militante que não era a minha, a não ser que
se entenda por essa obrigação a militância do meu amor por ti; e
o modo como nos despedimos, sabendo que uma revolução é o separar
dos caminhos, o sacrifício dos sentimentos à liberdade das ideias,
a entrega do ser ao absoluto das abstracções. Continuaste a vender
os jornais; e eu, subindo a rua, esperei que deixasses de me ver
para deitar fora o exemplar que te comprei: nem eu era desse partido,
nem o amor pode interromper uma revolução, mesmo quando
ela nos obriga a deitá-lo para o cesto dos papéis.
Nuno Júdice, "50 anos de Poesia - Antologia Pessoal (1972-2022)", Publicações D. Quixote, p.122-123
«Si l'on n'avait pas d'âme, la musique l'aurait créée.» E.M.Cioran , "Oeuvres", Editions Gallimard, 1995,p.504
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BY ARTHUR O'SHAUGHNESSY We are the music-makers, And we are the dreamers of dreams, Wandering by lone sea-breakers And sitt...

